MARILDE STROPP (e seus Fantasmas no) TEMPO QUANDO

Na instalação que a artista visual campineira Marilde Stroop apresenta no Projeto PASSA 4.5 do SUBSOLO -

Laboratório de Arte, durante as comemorações do primeiro ano da instituição em Campinas, a mobilidade do tempo,

o espaço físico e a memória individual e coletiva, matizam a impermanência da pesquisa artística que caracteriza os

processos de construção visual que Stroop desenvolve.

As placas de chumbo1 que permeiam a parede tingem a impermeabilidade, a impermanência da repetição

vibratória acentuando os espectros de intensidade e estabilidade na transcendência da proposta.

Stroop propõe-se, e propõe, uma ativação sensorial ao explorar ao mesmo tempo as particularidades físicas

do chumbo e do espaço arquitetônico sem esquecer o lugar de protagonista do espectador

Apresenta-se uma aparente e sugestiva massa quase monocromática e tridimensional - matéria e cor em

devaneio - , que fornece noções de dúvida e incerteza e que ativa uma “tela” quase fantasma; na direção que aponta

Didi-Huberman, de que o fantasma não é o sonho que coloca entre parênteses a prática, é uma relação tal com o

objeto de desejo que, ao dividir o sujeito, modifica inconscientemente a vigília e o ato. Modifica, pois a obra, conclamaa,

engendra-a, divide-a2. Com sua proposta, a artista alimenta aqui o fantasma das metáforas que a arte

contemporânea cataloga.

Transmudar a vigília e o ato, conclamar, engendrar e dividir são ações que TEMPO QUANDO argúcia em seus

processos sugeridos. Visíveis são estes processos em outras obras da série de Stroop, como nas impressões em papel

de algodão com tinta mineral, colagem de tecido e gravura sobre imagem (35 x 21 x 0,5 cm, cada), de 2016. Assim

sendo, na instalação no SUBSOLO é possível verificar as articulações expansivas da artista em estruturas

cartograficamente móveis em conteúdo, conceito, espaço e formas. TEMPO QUANDO dá continuidade à pesquisa

incessante da artista, que explora assertivamente várias modalidades artísticas contemporâneas, mesmo porque o

irradiar arte pelos espaços físicos é uma de suas facetas memoráveis.

Andrés I. M. Hernández

Doutor, curador, crítico de arte e professor em Artes Visuais

São Paulo, Verão de 2019

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